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       Sempre ouvimos falar no termo "
urbanização de favelas" durante as corridas eleitorais para os poderes executivo e legislativo da esfera municipal. Essa definição refere-se a inserção de determinado local no ambiente urbano de uma cidade, ou seja, a readequação e estruturação de bairros e assentamentos precários muitas vezes ocupados irregularmente. De acordo com o senso comum - inclusive dos prefeitos de grandes cidades - esse processo se dá por meio da pavimentação de ruas, guias e sarjetas para calçadas, iluminação pública e abastecimento hídrico. Todavia, apesar de serem pontos importantes para o processo de adequação, estão longe de bastarem para que uma favela torne-se um bairro devidamente regular.

       Osasco, município localizado na Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, possuí diversos contrastes sociais no percorrer de seus bairros devido ao processo histórico de consolidação de loteamentos. A região centro-sul da cidade foi desenvolvida no processo de imigração durante o "boom" industrial no Sudeste do país, época onde fazendas foram convertidas em bairros planejadamente (geralmente IAPI's) antes de receber seus moradores. Isso possibilitou a criação de praças, ruas largas, metragem mínima de calçadas, estrutura de serviços públicos e arborização em passeios para pedestres. Quando anda-se por bairros de ocupação tardia, como o Padroeira, a diferença é notável. 

       Durante as gestões dos ex-prefeitos Francisco Rossi e Celso Giglio, o extremo sul osasquense passou por uma série de ações que foram consideradas na época "urbanização de favelas". Porém, dentre os novos bairros criados na época estão Padroeira, Bandeiras, Veloso e Jardim Conceição, lugares conhecidos por possuírem ruas estreitas, residências subnormais, IDH baixo e falta de equipamentos públicos de lazer, saúde e educação. 

       Quando há a ocupação irregular em grande escala de algum terreno geralmente não se pensa em uma possível consolidação daquele espaço como um bairro. As residências são construídas de forma improvisada, sem delimitação mínima e tampouco espaço em seu exterior para que haja vias adequadas para a circulação de veículos e pedestres, unidas a equipamentos de energia elétrica como postes de luz. Além disso não resta espaço o suficiente para a construção de praças, creches, escolas e Unidades Básicas de Saúde. O conceito de estrutura básica tem sido "enxugado" pelo poder público em diversos momentos.

     
Osasco
       Existem exemplos bem sucedidos de favelas que foram desocupadas para a construção de conjuntos habitacionais, como o Colinas D'Oeste, projetado e executado pelo escritório de Arquitetura Vigliecca & Associados, localizado no bairro Jardim Bonança (extremo norte de Osasco). O complexo residencial conta com equipamentos como Praças, quadras de esporte, espaço para comércio, Escola Municipal, Centro de Arte e ainda uma Unidade Básica de Saúde que está em construção. Há calçadas, vagas para veículos e ruas largas no percorrer da nova unidade habitacional. O IDH da região deu um salto e na prática, a qualidade de vida de seus habitantes também, fato esse que fez o bairro ser destaques em exposições de arquitetura pelo mundo.

       O conceito de que asfalto e calçadas improvisadas por parte das Secretarias  de Obras em grandes cidades resolve o problema do abismo social e insere o assentamento irregular na dinâmica da cidade é equivocado. Enquanto Prefeituras continuarem cometendo os mesmos erros de sempre as cidades brasileiras dificilmente irão suprir o déficit habitacional de forma correta, de fato atendendo o que pede-se na constituição nacional.

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