Osasco
Foto: Página Oficial Rogério Lins

     Segundo os últimos dados divulgados pela Prefeitura de Osasco, a cidade possuí ao menos 91 óbitos confirmados ocasionados pelo COVID-19 e cerca de 1023 infectados confirmados pelos testes. O município está com os leitos praticamente saturados mas ainda assim tem sido um dos locais que mais tem investido no combate ao novo vírus em toda a Grande São Paulo. 

     Dentre as medidas adotadas pela gestão está a construção de dois hospitais de campanha, um no Jardim Santo Antônio e outro no Helena Maria e a criação de leitos especializados no Hospital Municipal Antônio Giglio e no Hospital Regional, na região central e em Presidente Altino, respectivamente. A higienização de espaços públicos e decretos que criam a obrigatoriedade do uso de máscaras de proteção, unido a entrega desse equipamento a população vulnerável foram outras ações tomadas pela Prefeitura de Osasco.

     Quando analisa-se o grau de óbitos vinculados ao número contágios bairro por bairro é notória a relação entre o índice de vulnerabilidade social e a mortalidade do vírus. Jardim Veloso, Padroeira e Conceição, na periferia do extremo sul osasquense estão dentre os locais onde o vírus causou mais estragos. Apesar de bairros de alto padrão como Adalgisa, Umuarama e Vila Yara também terem um grande número de casos, estão dentre os bairros com mais curas e menor incidência de novos infectados. Esses dados não são meras coincidências.

     Segundo o livro "Atlas da Exclusão Social de Osasco", o Jardim Veloso unido ao Jardim Conceição e ao Padroeira são os únicos bairros da Zona Sul osasquense que formam uma faixa de "extrema pobreza", com índices similares a bairros como Portal D'Oeste e Munhoz Jr, na Zona Norte. O índice de Desenvolvimento Humano de locais específicos dessas regiões não passa dos 0,500. O fato que rege essa relação é a impossibilidade do isolamento e distanciamento social devido a falta de estrutura nas residências e nos próprios logradouros em seus interiores.

     Lotes irregulares e pequenos, ruas estreitas e transporte público saturado já são parte da rotina dos moradores dos bairros mencionados no parágrafo anterior. Ambos os três surgiram a partir de grandes ocupações irregulares que foram "estruturadas" em gestões anteriores, porém, muitas vezes essa estruturação foi feita de forma improvisada pelo poder público, afastando esses bairros da qualidade padrão de outros locais da parte sul osasquense.

Padroeira - Google Street View
     Locais aglomerados e com poucos espaços abertos são os mais propícios para a propagação de doenças infecciosas como vírus e como o próprio COVID-19. As gestões públicas brasileiras precisam olhar com olhos diferentes as periferias de grandes metrópoles. Experiências urbanas realizadas na Europa após grandes epidemias já mostraram-se um grande sucesso e foram importadas para muitos países desenvolvidos e até mesmo cidades brasileiras, como Curitiba, no Paraná.
   
     A criação de grandes locais públicos de convivência e lazer nos mais diversos bairros de grandes cidades e um grande investimento em mobilidade urbana, focando em investimentos massivos no sistema de transporte público municipal das metrópoles-exemplo para retomar a confiança da população nessa modalidade de locomoção estão dentre as ações mais necessárias nos locais mais pobres e afastados dos centros urbanos. São a parcela da população que mais depende do poder público para chegar em seus destinos de trabalho e até mesmo educação. Uma habitação regular significa mais do que ter um CEP válido, significa ter dignidade e a estruturação necessária para que seus habitantes sintam-se de fato integrados a cidade e seguros de situações atípicas como as grandes pandemias.

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