COPROMO, por Verônica Lugarini

A Cooperativa Pró-Moradia de Osasco (Copromo) é um conjunto habitacional construído por mutirão e auto gestão, inicialmente com foco em classes sociais baixas localizado no bairro Aliança, da Zona Norte de Osasco. Os apartamentos contam com mais de 60m², dois dormitórios e os edifícios desenham praças de caráter e escalas variadas, que se interligam à área central do conjunto, onde se localizam o estacionamento, os espaços de lazer e o centro comunitário. A solução proposta por uma série de arquitetos estabelece unidades de vizinhança com desenhos variados que quebram totalmente os padrões dos conjuntos habitacionais vistos em São Paulo.

Quando, no início de 1990, a partir de um projeto elaborado pela USINA, a Associação da antiga Favela "Terra é Nossa" iniciou as obras de 520 casas em Osasco (SP), a notícia rapidamente se espalhou pela cidade. As lideranças do Terra é Nossa perceberam a enorme carência de moradia na região e resolveram promover um cadastramento de famílias para a constituição de um novo grupo de sem-teto. Por um barracão instalado no meio do canteiro do Terra é Nossa passaram, só na primeira semana, cerca de 10 mil famílias.

O Copromo surgiu a partir da ideia de formar uma cooperativa de habitação nos moldes uruguaios. Porém, o complexo processo que estrangulava as cooperativas naquela época acabou levando o grupo a se constituir como uma associação comunitária.


Logo após o cadastro das famílias que integraram a associação, resolveu-se ocupar uma área ociosa ao lado do antigo Terra Nossa, no bairro Piratininga, construindo um barracão para sediar a entidade social. Enfim, em 1990, com acessoria da USINA, nos anos seguintes, as famílias adquiriram um terreno no Jardim Aliança de 54.000 m², o suficiente para construir apartamentos para cerca de 1.000 famílias. Arquitetos da USINA afirmaram ao Sesc TV, terem sido pagos rigorosamente por todas as famílias para a concretização do sonho de se ter uma Casa Própria. Além disso, como em outras construções nos mesmos moldes, muitas famílias participaram ativamente com sua mão de obra na construção dos edifícios.

Partindo do preceito de que "pobre também pode morar em um local espaçoso", as centenas de famílias bateram o pé para que seus apartamentos se mantivessem no tamanho original, com qualidade. Após muita luta, conseguiram seguir em frente mantendo a qualidade e a quantidade das unidades. Com planta no estilo "cata-vento", estrutura em alvenaria e circulação vertical em estruturas metálicas, o conjunto foi projetado e construído de forma racional com a interação ideal com seus futuros moradores, que adquiriram por conta própria os materiais utilizados em todo o processo.



O COPROMO foi um dos primeiros conjuntos habitacionais do Brasil a deixar de lado o padrão "COHAB" para desenvolver a habitação pensando em qualidade de vida, não em números de unidade. Seguindo o padrão de outros mutirões espalhados por São Paulo, é um dos conjuntos com o menor índice de venda das unidades, fato que pode ser explicado pelo decorrer da construção dos edifícios, que são resultado do suor do trabalho de muitas famílias.

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