Flamenguinho, Piratininga
De Norte à Sul sempre ouvimos falar em comunidades irregulares famosas em Osasco. Favela 13, Flamenguinho, Casinhas, Morro do Socó, Jardim Açucará, Favela do Rochdale, Favela 14, etc. Sempre ouvimos sobre os famosos bailes e a alta incidência de tráfico de drogas nos locais, além, é claro, dos assaltos constantes nos arredores destas áreas. Todavia, esquecemos a principal parte: Como vive quem se abriga nesses locais tão mal vistos e insalubres?

Cheiro de esgoto, infiltrações, risco de incêndio, vielas estreitas e falta de iluminação pública são alguns dos perrengues que os moradores dessas áreas passam em seu dia a dia para ir e voltar de suas escolas ou de seu trabalho. Nos últimos anos houve um assustador aumento na incidência de invasões de terrenos públicos e particulares por toda a cidade e com isso, haverá uma drástica queda no IDH de Osasco nos próximos anos.

Jardim Açucará, Bonança.


Constantemente percebe-se terrenos a venda e casas em aluguel dentro de diversas comunidades espalhadas pela cidade. A partir daí, vemos a gravidade dessa questão social esquecida: Há alguém lucrando e há alguém sendo explorado dentro dessa situação de vulnerabilidade que atinge todos os cantos da maior cidade da Zona Oeste Paulistana. Osasco é a cidade que mais sofreu invasões na Zona Oeste desde 2008, quando houve a primeira queda nos dados de favelização da cidade na gestão Emídio de Souza.

Esse tipo de crescimento desordenado leva a outros déficits como filas para vagas em creches, uma maior demanda não prevista de vagas em escolas e um inflamento do sistema público de saúde, que se sobrecarrega devido à situação insalubre, contato direto com lixo e com esgoto por parte dos moradores dessas comunidades tão complexas. O desenvolvimento humano da cidade não é medido a partir de áreas urbanizadas apenas, afinal, todos estão convivendo no dia a dia da pequena metrópole.

Morro do Socó, Bonança.

O Arquiteto e Urbanista Henrique Rochaim, formado pela Universidade São Judas Tadeu e residente em Osasco alerta sobre essa nova onda de invasões e sobre a omissão da Prefeitura frente a esse problema: "Vamos criar novas vagas em creche, novas Unidades de Saúde, novas linhas de ônibus e reurbanizar de forma porca esses locais. Mas essa demanda sempre só vai aumentar desordenadamente. Osasco precisa muito de uma política habitacional seguida de uma política de combate a novas ocupações. A cidade não prevê os problemas de saúde gerados pela insalubridade das favelas, não prevê a demanda de creches e de escolas de seus moradores e tampouco consegue urbanizar de forma decente as áreas invadidas ao redor da cidade".

Enquanto a Secretaria da Habitação não tomar frente para combater esse problema que se instaura cada vez mais em Osasco, o nosso IDH vai despencar a cada ano que passa. A cidade não pode ser omissa com invasões, pois elas são dentro de seu território e precisam ser de alguma forma regularizadas.


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