Calçada Osasco
Calçada obstruída Osasco centro
Andar nas ruas de Osasco quando se é pedestre é um desafio. Pior ainda é andar em Osasco sendo um pedestre com alguma deficiência locomotora. Essa questão não é visível apenas nesse local, mas sim em todas as grandes metrópoles brasileiras. Nesse artigo, vamos relatar as barreiras que temos de enfrentar quando somos obrigados a ser pedestres em uma cidade hostil com os seus habitantes.

Guias altas, postes obstruindo a passagem e calçadas esburacadas são as características da maioria das calçadas no decorrer pela cidade. A região central possuí melhores condições, mas quando se entra nos bairros é possível ver o total descaso da Prefeitura com a fiscalização do calçamento da maioria das residências, estabelecimentos e condomínios espalhados por Osasco. O maior erro de qualquer gestão pública é não regulamentar como devem ser as calçadas para garantir uma melhor circulação dos moradores que não dispõe de automóveis.

Bela Vista
Calçada na Avenida Santo Antônio

Dispondo de plenas condições locomotoras já é difícil, pior ainda é circular de cadeira de rodas pela cidade. A moradora do Vila Yolanda, Cinthia Abreu, utiliza uma cadeira de rodas elétrica e pega todos os dias o ônibus 012 para ir trabalhar no Vila Yara. Ela desabafou para a Osascomídia como é o seu dia a dia andando por Osasco: "Eu perdi a locomoção das minhas pernas após um acidente de carro. Depois disso tive que utilizar uma cadeira de rodas. Ando na rua porque nas calçadas do meu bairro sem condições. Degraus gigantes, postes grossos e muitas barreiras sem sentido. Quando o ônibus chega pelo menos o elevador funciona, nunca peguei um "012" com a porta de deficientes quebrada. Chegando no terminal Vila Yara vem a dificuldade novamente, preciso da ajuda de alguém. Chegando na calçada da Avenida dos Autonomistas a situação fica menos crítica, mas ainda assim é difícil. Quase caio a cada travessia em faixas de pedestre e os buracos para mim são muito mais difíceis de driblar. Já passou da hora da Prefeitura dar um jeito nessa situação. Não sou a única.

O Artigo 1º na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), é destinada a assegurar e a promover, em condições de equidade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania. Esse trecho da constituição brasileira é muito abrangente, todavia, com o relato da moradora Cinthia, vemos que com toda a certeza essa estrutura urbana está longe de garantir equidade quando o assunto é o "ir e vir" de um deficiente motor.

Avenida dos Autonomistas
Calçada na Avenida dos Autonomistas

Com regulamentação, muitos problemas poderiam ser resolvidos quando o assunto é a qualidade do caminhar de um pedestre. Estabelecimentos obstruem totalmente as calçadas de grandes avenidas com vagas para veículos. O ideal seria proibir tal ação, além de obrigar os proprietários das residências a manter seu calçamento em situação decente e sem obstáculos para o pedestre, ou até mesmo, a Prefeitura Municipal poderia padronizar e reestruturar os caminhos urbanos para que assim não haja brechas para o descumprimento dessa possível lei.

O aterramento da fiação (já proposto pelo vereador Elissandro Lindoso [PSDB] ) também seria um auxílio para a retirada dos postes de luz que ocupam mais da metade da passagem em diversos locais da cidade, promovendo assim, o cumprimento da lei federal que define que todos os cidadãos devem ter o direito de ir e vir para gozarem de sua plena liberdade.


Postagem Anterior Próxima Postagem