Jardim Guardalupe - Christiano França
Nos últimos anos Osasco é, segundo a Folha de São Paulo e o Estadão, a cidade que mais têm construído e vendido apartamentos residenciais em toda a Região Metropolitana de São Paulo, deixando para trás cidades como Campinas, Guarulhos e até mesmo a Capital Paulista proporcionalmente. Com esse destaque a população possuí diversos anseios e preocupações: Será que a cidade ficará tão caótica quanto São Paulo? O caos abrange diversos sentidos, sejam eles no trânsito, em serviços públicos ou criminais.

Os principais compradores são ex moradores da Capital Paulista que buscam empreendimentos em locais relativamente bons com o preço do metro quadrado mais atrativo do que em São Paulo, além do IPTU ser mais em conta do que na cidade vizinha, apesar de alto. Com isso, o congestionamento nas entradas e saídas da cidade em todos os horários de pico sempre se agrava, "travando" as principais vias da cidade como um todo.


Ponte Metálica - Prefeitura de Osasco



Muita gente fala em ampliação ou construção de grandes avenidas, abertura de novas ruas ou até mesmo diminuição das calçadas para a alocação de uma nova faixa para veículos. Mas será mesmo que essa é a solução para a segunda cidade com a maior frota de veículos de todo o Estado? Incentivar ainda mais o uso de carros? A Europa prova que essa é a contramão do desenvolvimento da qualidade de vida de uma população.

Cidades europeias também passaram por esse mesmo problema na época das grandes Revoluções Industriais, mas a solução adotada pelas cidades foi bem diferente da proposta por aqui. A implantação de Veículos Leves Sobre Trilhos nas principais vias foi uma das medidas mais radicais tomadas pelas prefeituras das grandes cidades. São "bondinhos" que percorrem ao lado das principais vias, transportando a população de forma rápida e eficaz. Corredores de ônibus e ciclovias foram outras medidas adotadas pelas prefeituras para afastar a população ao máximo do uso dos carros, pois esse se tornou nocivo às grandes cidades. Tudo isso foi acompanhado de um maciço investimento em acessibilidade e caminhabilidade nas calçadas, é claro.

Km 18 - Marco Aurélio Motta.

O entra e sai de veículos da cidade é causado também pelo fato da maioria dos moradores de Osasco trabalharem na Capital. Isso é um fato. Toda cidade ao redor de São Paulo tende a ter uma migração pendular para seu eixo mais central, mas isso pode ser evitado. Nos últimos anos Osasco atraiu empresas como Mercado Livre, Ifood, Uber, B2W, Coca-Cola, MercadoCar e WeWork, garantindo que boa parte de seus funcionários resida na cidade. Na questão de serviços não pecamos, mas devemos cada vez mais atrair novas empresas para o nosso interior, diminuindo essa migração para São Paulo, que é uma das principais queixas de quem aqui vive. Incentivos fiscais ou incentivos ao empreendedorismo podem ajudar - e muito - nessa questão.

No quesito criminalidade, a Prefeitura tem tomado medidas interessantes quando analisamos as câmeras de monitoramento instaladas em pontos estratégicos da cidade. Com as câmeras já se pode localizar carros que foram roubados devido à sua capacidade de ler placas de veículos, em especial os registrados no sistema da polícia militar devido aos roubos. A instalação de luz de LED e reforma de praças para que elas sejam utilizadas também tem dado resultados em índices criminais de diversas localidades da cidade. Tudo isso é claro com um massivo investimento na Guarda Civil e cobranças de um maior efetivo na Polícia Militar.

Outra questão que deve ser pauta nas próximas gestões é a Habitação. Osasco possuí um crescente número de favelas desde 2008, quando esse dado diminuiu pela primeira vez. Bairros como Jaguaribe, Santo Antônio, Padroeira e Bonança tem sido alvos constantes de novas ocupações irregulares que servem de esconderijo para traficantes e bandidos além de causar uma tremenda queda no IDH de qualquer lugar. O conceito atual de conjuntos habitacionais não tem suprido a sua demanda, além de continuar segregando todos os habitantes contemplados com apartamentos em áreas que continuam sem estrutura pública e de serviços.


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