Osasco e empresas locais

       Recentemente Osasco tem se firmado como o maior polo tecnológico da Região Metropolitana de São Paulo. A cidade é matriz de empresas como Bradesco, Ifood, Mercado Livre, B2W e recentemente a startup Rappi confirmou a vinda de sua matriz para o município. Além desse status, a cidade se firma cada vez mais também como polo logístico, possuindo o centro de distribuição do Pão de Açúcar e Coca-Cola, além do maior centro logístico do país estar em construção, no bairro São Pedro. Fábricas como JBS e Intermarine são outras empresas que possuem instalações nos perímetros osasquenses.

Osasco é considerada o maior polo comercial da Grande São Paulo além da capital, contando com pelo menos quatro shoppings de grande porte e o segundo maior corredor de compras do país, o Calçadão Antônio Agú. Além disso há um lançamento de um novo centro comercial com pelo menos 260 lojas na cidade, no bairro Jaguaribe. O município se firma como um dos maiores centros de consumo devido ao bom poder de compra e crédito da população e cidades ao redor. Recentemente empresas como Havan e MercadoCar anunciaram sua vinda, com as duas unidades já em construção em Presidente Altino e Centro.

Projetos que não andam e falta de políticas públicas

Apesar de todo esse potencial a gestão municipal deixa a desejar em aspectos básicos. O novo edifício da Prefeitura, por exemplo, era para ter sido concluído em 2019, com obras iniciadas ainda durante a gestão do ex-prefeito Jorge Lapas (PDT). As obras foram paralisadas devido irregularidades no contrato da Parceria Público-Privada firmada com a construtora Método, sendo que o terreno onde se localizaria o novo centro administrativo local chegou a ir à leilão, porém, sem lances.

A nova alça de acesso com a Rodovia Presidente Castello Branco deveria ter saído do papel no segundo semestre de 2019, como informado pelo Governador de São Paulo e pelo Prefeito Rogério Lins (PODE), todavia sempre que surge o assunto, a Prefeitura de Osasco desconversa e não passa muitos detalhes sobre a negociação. O projeto foi orçado em R$ 300 milhões e foi anunciado no final de 2018.

A falta de políticas públicas em questões urbanas, como qualidade de espaços públicos, planejamento viário e habitação é clara. A deficiência da Secretaria de Habitação e Planejamento Urbano é enorme há gestões. Ocupações irregulares fazem com que a fila de espera por uma moradia oferecida pela Prefeitura Municipal apenas cresça e nada de novo é idealizado, e quando proposto, é simplesmente descartado pelo poder público. Enquanto o déficit habitacional é ignorado, áreas de risco geológico são tomadas por milícias que comercializam lotes em favelas, em especial na zona norte e no extremo sul da cidade. Osasco precisa de um programa de habitação sólido e realista, que realmente ajude a população sem acesso à moradia.

Falta de qualidade em pontos de ônibus e a não integração entre os modais de transporte (ônibus municipais, EMTU e CPTM) é outro ponto cuja melhoria fica há anos apenas no campo da promessa. O Bilhete Único Municipal entrou em vigor no inicio de 2020, porém apenas com ligações internas e em linhas municipais. Muitas das paradas de ônibus locais são apenas totens sem acento ou cobertura, enquanto a passagem custa pelo menos R$ 4,50, até o último reajuste. Além disso, há irregularidades no contrato entre a Prefeitura e as empresas de ônibus que operam no município.

Conclusão

Com a segunda maior arrecadação do Estado de São Paulo e sexta maior arrecadação do país, Osasco possuí total capacidade de tornar-se um exemplo de gestão e serviços públicos Brasil afora. Todavia, a omissão dos setores fiscalizadores, em especial da Câmara Municipal, assim como a abstenção dos cidadãos da política local fazem com que a cidade entre num ciclo vicioso de gestões ruins com pautas importantes arquivadas pela incapacidade do poder público.

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